Espaço Cultural Porto Seguro

Novas Efervescências

exposição gratuita
de 11.5 a 21.7
terça a sábado, das 10h às 19h
domingo, das 10h às 17h

*Última entrada até 30 minutos antes do encerramento

A exposição Novas Efervescências é fruto do edital homônimo convocado no ano passado pelo Espaço Cultural Porto Seguro. Esta primeira chamada aberta convida a classe artística de todo o Brasil a explorar a permeabilidade da instituição para os atuais diálogos de criação.

Quais seriam os novos pensamentos na cena das artes no país? Esta pergunta ambiciosa mobilizou cerca de 250 artistas do Brasil inteiro a se inscrever. Para selecionar os nove trabalhos inéditos aqui apresentados, a comissão julgadora, composta por Isabella Lenzi (curadora independente), Jacopo Crivelli Visconti (curador-geral da 34ª Bienal Internacional de São Paulo) e Ricardo Ribenboim (artista e diretor da Base7 Projetos Culturais), procurou valorizar abordagens que tensionam os limites e as fronteiras das expressões artísticas. Nas palavras do júri, “foram respeitadas as premissas estipuladas pelo edital, de tal forma a reunir trabalhos inovadores tanto na trajetória dos artistas quanto no âmbito da discussão em arte contemporânea, com artistas de diferentes gerações, procedências e estágios da trajetória”.

Novas Efervescências

Novas linguagens da arte contemporânea dão o tom da próxima exposição do Espaço Cultural Porto Seguro. Intitulada Novas Efervescências, a mostra traz nove trabalhos inéditos dos artistas selecionados pelo Edital de mesmo nome promovido pelo próprio Espaço Cultural, em parceria com a Base7 Projetos Culturais, que contou com comissão julgadora formada por Isabella Lenzi, Jacopo Crivelli Visconti e Ricardo Ribenboim.


Conheça a seguir os artistas selecionados:
De Terra, Pedra e Palavra

De terra, pedra e palavra

Erica Ferrari

A instalação problematiza questões relativas à construção, destruição, exposição e ressignificação de um dos símbolos históricos de São Paulo, o Pátio do Colégio, marco da fundação da cidade pelos jesuítas. Os aspectos históricos, simbólicos, políticos e construtivos do edifício são investigados a partir de vestígios físicos, registros fotográficos, jornais de diferentes épocas e posts em redes sociais. Ao promover uma experiência condensada das múltiplas camadas de tempo, a artista questiona até que ponto essa construção pode representar o processo de desenvolvimento brasileiro, da colonização à atualidade. Segundo Erica, no Pátio do Colégio confluem conceitos como religiosidade, opressão, descaso, patrimônio e memória.

O trabalho foi realizado com apoio da Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior - Brasil (CAPES) - Código de Financiamento 001.

Erica Ferrari

Erica Ferrari

São Paulo (SP), 1981
Com uma formação que vai das artes visuais à arquitetura e o urbanismo, a paulistana Erica Ferrari busca escavar e analisar as diversas camadas históricas e sociais do tecido urbano. A vida nas grandes cidades, o caráter simbólico das construções arquitetônicas e a formação da identidade no espaço público são questões centrais na sua produção. A partir de distintos suportes e linguagens Erica investiga as relações entre arquitetura, paisagem e história. Um de seus objetos de seu estudo são os diversos usos e configurações ao longo do tempo de uma série de edifícios e monumentos públicos, como os Palácios Nacionais Brasileiros, com um passado de luta e violência, que atualmente funcionam como museus ou espaços culturais.


Metabolismo #3

Metabolismo #3

Daniel Frota de Abreu

A escultura, feita em concreto armado, é uma obra viva e utilitária que funciona como um sistema de compostagem. Ao longo da exposição, este dispositivo transformará dejetos em húmus que será utilizado para adubar o jardim do Espaço Cultural Porto Seguro: a escultura serve de casa para minhocas que se alimentam do lixo orgânico produzido pela própria instituição durante todo o período da exposição, desde sua montagem. Os visitantes e funcionários alimentam e renovam a obra, que funciona como um metabolismo da entidade cultural que a abriga.

Daniel Frota de Abreu

Daniel Frota de Abreu

A produção de Daniel Frota de Abreu, combina escultura, vídeo e publicação em instalações que estabelecem relações estéticas e políticas com seu contexto. Sua prática justapõe ações escultóricas e assuntos abordados pela antropologia, história da ciência e ficção especulativa. Para isso o artista lida com a circulação e deterioração de materiais, investigando fracassos de comunicação e limites de legibilidade.




Smog

Smog

Tiago Mestre

Neste mural, Tiago propõe um olhar crítico sobre a matéria utilizada – a argila – e também sobre o método de sua produção, a partir de técnicas de moldagem, e sobre a relação entre obra e espaço. Também questiona a cultura modernista brasileira, que tem como referência a arte pública monumental na arquitetura urbana. O artista busca a diversidade e defende que a melhor síntese é aquela capaz de traduzir diferentes visões. Nesta instalação, o nevoeiro de massa lodosa formado por linhas e pontos, como uma onda descontínua e imperfeita, representa, para Tiago, um olhar turvo e desapaixonado sobre fatos recentes e a construção de uma história. Em suas palavras, “é um trabalho sobre o esquecimento”.

Tiago Mestre

Tiago Mestre

NO português Tiago Mestre nasceu no Alentejo e desde 2010 vive em São Paulo. Arquiteto de formação, sua pesquisa artística se materializa em diferentes meios e suportes, entre a escultura de cerâmica, o gesso e o bronze, a pintura e o vídeo, os murais e as instalações. A produção de Tiago está diretamente ligada às distintas matérias que utiliza e confronta e aos espaços que ocupa. Seus trabalhos partem de uma consciência crítica em relação ao fazer artístico e ao valor simbólico e antropológico de suas obras.
Muitos de seus trabalhos remetem à naturalidade das primeiras manifestações artísticas, quase como um gesto intuitivo primordial.




O abismo não nos separa, ele nos cerca

O abismo não nos separa, ele nos cerca

Laura Gorski e Renata Cruz

Esta instalação é formada por uma coleção de livros adquiridos pelas artistas ao longo dos anos de parceria, sob os quais as artistas intervêm. As publicações abordam temas clássicos da cultura universal, como pintura, escultura, poesia, botânica, literatura, tapeçaria, entre outros, e são atravessadas por elementos naturais coletados pela dupla durante uma experiência de imersão na Floresta Amazônica, em julho de 2018. Sementes, galhos, insetos, fungos e terra rompem o formato dos livros e reorganizam sua forma e seu conteúdo. Acompanha a obra a publicação Reserva, que reúne imagens dos livros apresentados na instalação.

Laura Gorski e Renata Cruz

Laura Gorski e Renata Cruz

As artistas Laura Gorski e Renata Cruz trabalham em parceria desde 2015, neste período participaram de projetos e exposições. O foco de pesquisa da dupla é criar espaços partilhados de integração e silêncio, que normalmente são habitados de maneira individual. A possibilidade do encontro consigo mesmo, de forma acompanhada, as move a criar imagens nas quais está presente a ideia de partilha do tempo e da intimidade. Em 2017 participaram da residência LABVERDE na Reserva Adolpho Ducke, em Manaus, para onde retornaram em 2018. A permanência na floresta possibilitou a construção de situações de encontro, nas quais as artistas se valeram de fragmentos de paisagens, que em sua estranheza e integração, convidavam a experienciar a permanência, o silêncio e a possibilidade de criação poética na relação de uma com a outra e de ambas com o lugar.




Fotorreceptores: cones e bastonetes

Fotorreceptores: cones e bastonetes

Arnaldo Pappalardo

O ponto de partida desta obra são os dois tipos de célula responsáveis pela visão humana: os bastonetes, que mesmo na penumbra captam a luz, mas não registram a cor; e os cones, que percebem as frequências luminosas azuis, verdes e vermelhas. Esta instalação nasce entre a cor e o preto e branco, entre o livro e o vídeo. O trabalho dá movimento a imagens estáticas a partir de duas operações distintas: o virar das páginas do fotolivro e a sucessão de fotografias projetadas. Embora tudo seja imagem fotográfica, há uma clara associação com as volumetrias e as cores do universo do desenho e da pintura. No objeto livro ou no vídeo, a sequência de imagens é apresentada de forma não narrativa ou linear, quase caótica, o que permite ao espectador produzir associações e criar sua própria história.

Arnaldo Pappalardo

Arnaldo Pappalardo

Veterano na cena fotográfica brasileira, o paulistano Arnaldo Pappalardo busca uma constante renovação técnica. Arquiteto de formação, muitas vezes parte de procedimentos ligados à fotografia, mas ela é apenas um caminho condutor para um universo de imagens e para construção de “uma visão caleidoscópica”. Arnaldo experimenta com imagens díspares e utiliza técnicas diversas do universo fotográfico: dos primórdios da fotografia aos recursos das câmeras digitais. Seus trabalhos se materializam na forma de grandes livros impressos em tecidos, peças com resina epóxi com fotografias encapsuladas, chapas de vidro fotográficas ou impressões fine art em jato de tinta. Para ele, a arte será mais poderosa e efetiva se estiver direcionada para promover rupturas nas linguagens já estabelecidas.




Loop

Loop

Erica Kaminishi

Nesta instalação visual, o público é convidado a intervir, tocando e girando os cilindros revestidos com papel Canson branco. A obra joga com o duplo significado em inglês da palavra loop: forma, ordem ou caminho de movimento circular ou curvado sobre si mesmo, mas também padrão básico da impressão digital humana. O conjunto de cilindros alude às tradicionais rodas de oração budistas e, ao mesmo tempo que aborda o intocável e o sagrado, discute a cultura do toque. Conforme são tocadas, as peças tridimensionais gradativamente mudam de cor e absorvem os vestígios deixados pelos espectadores. Na concepção da artista, para quem o público muitas vezes só consegue ver a camada superficial do belo, este é um trabalho mais direto e extremo, que problematiza questões como alteridade e estranheza e a associação do branco à beleza e à pureza.

Erica Kaminishi

Érica Kaminishi

É nipo-brasileira e já viveu entre o Brasil, o Japão e a França. Esse período no exterior acabou se tornando, nas suas palavras, a base de sua produção visual e de seus questionamentos. Aspectos da arte e cultura tradicional japonesa são centrais em sua obra. A artista parte do desenho, da palavra e de tudo o que envolve esse universo: a palavra escrita, oral, pictórica, literária e os símbolos. Utilizada em diários pictóricos, repetições de poemas e questionamentos pessoais, a palavra funciona como seu contato com o público e também como um instrumento de autorreflexão. Estão presentes em seu trabalho questionamentos em torno de conceitos como identidade, hibridismo, origem étnica, língua materna e fronteiras culturais. Temas em pauta no Brasil e no mundo.




Laissez-faire nº 1

Laissez-faire nº 1

João Angelini João Angelini

“Laissez-faire nº 1” faz parte de uma pesquisa iniciada em 2016 a respeito dos gestos de trabalhadores operando ou produzindo objetos. Para construir esta obra, composta por um vídeo e 1.920 desenhos em papel, o artista decupou os movimentos das mãos de um soldado do Batalhão de Planaltina da Polícia Militar do Distrito Federal, que realiza a rotina de vistoria e manutenção de sua pistola antes do serviço. Cada ação é característica, programada para verificar peças e evitar possíveis falhas durante o uso da arma. As mãos do policial são desenhadas, mas não o objeto manipulado, que, apesar de invisível, pode ser identificado pelo volume negativo das imagens e pelos movimentos. A intenção do artista ao transpor os desenhos do vídeo para o espaço é revelar o processo laborioso, manual e extremamente demorado que está por trás da produção de uma animação e transferir ao espectador a possibilidade de ordenar as imagens.

João Angelini

João Angelini

Mora em Planaltina, na periferia rural de Brasília. A cidade é uma fonte de imagens, situações e informações para muitas de suas obras. Seu trabalho tem como enfoque as questões processuais, as reflexões dos modos de fazer, os limites e as convergências de linguagens e técnicas artísticas. Suas pesquisas se desdobram em diversos meios como gravura, pintura, teatro, fotografia, vídeo, música, animação e performance. Muitas de suas obras mesclam métodos e suportes. O que de fora parece muita informação para lidar e poderia gerar confusão, para ele não é. “Tenho uma cabeça que separa as linhas de produção”, esclarece. Além de sua produção individual, o artista fez parte do coletivo EmpreZa, grupo de performance, e atua como professor.




O castelo e a serpente

O castelo e a serpente

Pablo Lobato

Seis peças de distintos materiais e naturezas compõem esta instalação. O arranjo entre elas cria um vínculo específico com o espaço. Apesar de autônomas, as obras estabelecem entre si relações espaciais e de escala que determinam a experiência do espectador. Quatro delas são inéditas e duas (“Kimono Xapiri”), já apresentadas no exterior, expressam vivências do autor em residências artísticas na Coreia do Sul e no Japão. Os dois vídeos derivam de uma pesquisa sobre a primeira infância. O personagem, Ravi, teve seu crescimento registrado dos três meses aos três anos de idade. Segundo Pablo, esse registro seguiu os estudos e ensinamentos da pediatra vienense Emmi Pikler. “Enquanto a criança tateia o mundo, o mundo a tateia”, explica o artista. A primeira infância, aqui, simboliza um lugar fértil para mudanças urgentes de que a sociedade necessita.

Pablo Lobato

Pablo Lobato

Procura atenuar os limites entre distintos suportes, materiais e métodos. Ele começou no cinema, exibindo seus trabalhos em festivais do mundo todo, e aos poucos ingressou no circuito das artes visuais. O artista experimenta, sobrepõe e converge diversas linguagens – vídeos, fotografias e assemblages - sem que haja uma linha divisória entre elas ou uma preponderância de uma sobre a outra. Seu trabalho se constrói a partir de um exercício de escuta e de um olhar atento e detido sobre espaços, e situações. Pablo trabalha de modo colaborativo com a matéria, dando prioridade a uma economia do gesto. Suas obras parecem surgir mais a partir de encontros, do que de buscas. A atenção aos materiais simples e o gosto pelo impermanente, pelo frágil e impreciso são centrais em sua produção.




Um vazio e um silêncio

Um vazio e um silêncio

Angella Conte

A série de colagens, desenvolvida em São Paulo, é fruto de uma estada da artista na Holanda, em 2015. Lá, entrou em contato com uma paisagem tranquila, com o frio e a natureza. “O silêncio fez com que eu me aproximasse cada vez mais da delicadeza naquele país úmido, cinzento e calmo”, explica. As fotografias aéreas que formam o conjunto, em sua maioria em preto e branco, foram retiradas de livros adquiridos em sebos locais, e então foram recortadas e recompostas para formar novas imagens e paisagens. A composição enfatiza o contraste entre, de um lado, a densidade e o caos do traçado urbano, com seu ritmo ditado por canais e vias expressas, e, de outro, o silêncio exagerado da planície flamenga.

Angella Conte

Angella Conte

O ponto de partida da produção de Angella Conte é a inter-relação entre o indivíduo e seu meio, o que pauta histórias, trocas e resquícios. A partir de um olhar atento e de um contato íntimo e sensível com a paisagem - urbana ou natural -, ela dá corpo aos seus projetos, sem um formato previamente escolhido. A artista paulista utiliza múltiplos suportes e linguagens. Desenhos, pinturas, esculturas, fotografias, instalações, vídeos e performances. Angella é uma colecionadora de objetos, imagens, sensações e memórias que coleta e registra, aproxima e recompõe. Em viagens e no dia a dia, ela se apropria e transforma objetos cotidianos que encontra pelo caminho. Estes podem ter um uso imediato ou serem guardados para obras futuras.


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